terça-feira, 10 de maio de 2011

Memórias de um insone...




Se no meio da madrugada eu acordo e não mais prego o olho, tomado pelos mais estranhos pensamentos, vejo que algo está faltando ou sobrando na vida...
Pode ser trabalho demais, lazer de menos... ou, (por que não?) loucura demais e remédio de menos, quem sabe?
A grande questão dessa engronha toda é não dormir!
Só quem passa por isso sabe o quanto é angustiante sentir sono e não dormir, e o que é pior, passar o dia sonolento, porque o maldito sono (ou bendito, quem sabe?) vem sempre na hora mais terrível, quando o que tu não podes nem pensar é dormir.
No meio da reunião, depois do almoço, na conversa com o colega que fala devagaaaaar, pimba, lá está a criatura passando vergonha e “pescando”. Desculpas são bem vindas, mas geralmente fica aquela sensação de peidar no elevador lotado...
Aí tu chegas em casa, podre de cansado, toma um banho, deita e apaga. Quatro horas depois, tcharãm!, acorda para a vida e fica puto de raiva, não acredita que acordou de novo às três, quatro horas da manhã e sabe que vai ficar acordado (a contragosto, diga-se de passagem) até apagar de tão exausto novamente...
É, acho que vou atrás de ajuda, preciso dormir!
Que Freddy Krugger me proteja!

terça-feira, 15 de março de 2011

Sobre lágrimas e realidades

Hoje assisti ao Big Brother...
Cheguei em casa quase dez horas da noite, cansado pra caramba e me dediquei às futilidades da vida. Mas não deu...
A hora do “Paredão” é simplesmente impressionante!
Pedro Bial inicia uma falácia pseudo poética-filosófica-existêncial tentando dar um sentido, agregar valor, significar o momento, buscando um clima de epopéia heróica que chegara, finalmente, ao seu clímax...
Então, após o resultado, as lágrimas... Ah, como choram esses meninos e meninas, todos lindos e emotivos! Choram copisoamente depedindo-se do companheiro que sai da “casa” como se este se dirigisse para o cadafalso, ao que o provável enforcado se pronuncia com frases do tipo “Deus sabe o que faz!”. Após o indivíduo atravessar a porta que leva ao nosso mundo, eles seguem chorando e gritando "Fulaaaaaaano", como forma de reverenciar a digna passagem deste "herói" nessa intensa aventura chamada Big Brother...

Hoje à tarde vi um pai e uma mãe chorando ao lado do corpo do filho adolescente morto.

Realmente não dá.
Vai tomar no cu, Bial...

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Egito...


Depois de um ano de ausência, volto a escrever nestas linhas.
De férias por casa, curto os últimos dias desse direito que ainda nos sobrou da Era Vargas vadiando, assistindo TV, lendo, enfim, no ócio. Bueno, então, para transformar esses momentos de pura preguiça em ócio criativo, cá estou.
Para este retorno, vou escrever sobre algo que ainda não escrevi por aqui: política.
E a pauta do mundo só podia ser o Egito.
Se abrirmos o jornal ou ligarmos a televisão, no que se refere à política internacional, só dá Egito. Aproveitando a repercussão do que aconteceu nos últimos meses na Tunísia, a população do Egito foi às ruas pedir a saída do presidente Hosni Mubarak. A reação do governo foi imediata: repressão, toque de recolher, tropa de choque, gás e balas de borracha. Vários mortos, feridos e presos.
Como na Tunísia, os manifestantes – a maioria jovens estudantes – se utilizaram de ferramentas eletrônicas para manifestar suas reivindicações e mobilizar a população pela sua causa. A resposta, novamente, foi repressiva: blecaute eletrônico no país das pirâmides, twitter e facebook fora do ar, sites internacionais bloqueados, etc.
Mas o que me chama a atenção nessa movimentação toda, a ponto de voltar a escrever depois de tanto tempo, é a posição das potências ocidentais no episódio.
Hosni Mubarak está no poder no Egito há trinta anos. Através de eleições fraudulentas, repressão e censura, se perpetua no poder. Entretanto, nada se disse até então na nossa imprensa sobre esse ditador. Aliás, nem era dado esse tratamento ao governante egípcio! Simplesmente “Presidente Hosni Mubarak”, e só!
Apoiado pelos Estados Unidos, Mubarak sucedeu Anwar Al-Sadat, de quem era vice-presidente, depois que este foi assassinado, em 1981. Seu posicionamento no Oriente Médio é pró-Ocidente, ficando ao lado dos EUA nas Guerras do Golfo e sendo aliado de Israel, mesmo depois da invasão do Líbano por este país, em 1982, contrariando a imensa maioria das nações árabes.
O Estado árabe mais populoso do Oriente Médio (cerca de 80 milhões de habitantes) está sendo alvo de investimentos de capital internacional. O investimento estrangeiro direto cresceu de apenas US$ 450 milhões em 2003 para mais de US$ 10 bilhões em 2007. Uma pista: o Egito está entre os principais beneficiários de uma torrente de dólares do petróleo vindos de países como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Os Estados Unidos foram a principal fonte de capital em 2007, apesar de estarem em oitavo lugar no investimento cumulativo. Grandes corporações americanas como o Citybank, General Motors e Procter & Gamble têm investimentos grandes no país.
A grande questão é que estes investimentos (que proporcionaram crescimento na casa dos 7% nos últimos anos) não estão tendo suas benesses revertidas para a população. Já vimos este filme no Brasil do Milagre na década de 1970: desenvolvimento econômico sem investimento social, fracasso na certa...
A falta de perspectivas da juventude, a violação sistemática dos direitos humanos combinadas a uma série de fatores que acompanham as ditaduras, levou o povo egípcio às ruas para pedir liberdade e um futuro.
A Secretária de Estado norte-americana Hilary Clintom acaba de declarar que os Estados Unidos pretendem permanecer aliados do governo egípcio e do povo egípcio. Ah, os estadunidenses, sempre paradoxais...

sábado, 30 de janeiro de 2010

A tudo ao meu amor serei atento...

Depois de bastante tempo afastado, voltamos para publicar algumas historinhas...

A tudo ao meu amor serei atento

Abraçada ao caixão ela chorava desesperadamente, olhos vermelhos, rosto inchado pela noite de vigília e sofrimento. Ao seu redor, filhos e sobrinhos compartilhavam o momento, todos trôpegos de sono e tristeza.

Assistindo à cena os vizinhos, parentes e amigos do falecido comoviam-se, pois sabiam ser aquela dor verdadeira, mesmo sabendo de toda a história.

Havia sido infiel a vida toda, era público entre os moradores daquele pedaço de terra no fim do mundo que não perdera uma só oportunidade de entregar-se a amores furtivos. O bodegueiro, o vizinho, o seresteiro, o lenhador de acácia negra, todos eles (e quantos mais?) haviam se esbaldado naquelas poucas carnes que o corpo pequeno e magro comportava. Como na música, se entregara na garagem, no tanque e na cantina...

Assim mesmo – e quem sabe por isso mesmo – todos se comoviam e se solidarizavam com sua dor de viúva. Aquele que agora repousava lhe dera carinho, amor, dedicação, criara seus filhos (sim, havia dúvidas) e lhe fora fiel com o um cão durante quase quarenta anos. Aos boatos que pipocavam a respeito de sua vida conjugal, dava as costas e fingia não saber. Mas todos sabiam que não era verdade. Ele sabia de tudo. Mas como permitiria denegrir a imagem de sua companheira?

Não poderia recriminá-la. Seriam as novelas que assistia? Seria o sangue? Esse comportamento se justificava de alguma maneira, não podia ser por maldade. Mesmo sabendo da oportunidade que criava, nunca desistira do futebol aos sábados e das longas noites de viola e "ternos de reis" pelo interior. Afinal, era uma necessidade que ela possuía e que ele não poderia dar conta, os fatos comprovavam que não dependia dele, era a natureza que falava mais forte.

Assim, quando fecharam o caixão e ela ameaçou desmaiar, ninguém duvidou: sofria demais por aquele homem que havia democratizado o seu amor com o mundo. Ninguém mais faria isso por ela. Ninguém...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Planeta Terra, cidade Tóquio...



Durante todo um ano, corria na frente da gurizada que vinha da escola, junto com meu primo Alexandre “Ferpa”, para chegar em casa a tempo de ver o episódio daquele dia.
Entrava em casa suado, depois de andar quase dois quilômetros em passo acelerado, correndo para a frente da Telefunken 17’, preto e branco...
Monstros feitos de espuma, mais inocentes para os padrões atuais que as produções da Pixar Animations, povoavam minha imaginação: era com eles que lutava na parte da tarde campo afora, “voando” baixo – bem baixo – pelas estradas do Areião.
Faziam parte também das brincadeiras em grupo. A grande briga, sempre, era para resolver quem seria o Kenji, para ter a honra de levantar o braço esquerdo e bradar aos céus:
- Dominantes: Às ordens!
A partir daí a disputa pela sobrevivência no planeta pegava fogo!
Dr. Gori e o engraçadíssimo General Karas, dois macacos extraterrestres, montavam planos perfeitos para, finalmente, dominar a Terra e livrarem-se dos humanos (os macacos, na verdade, eram eco terroristas, pois criavam monstros a partir da poluição que os humanos produziam, julgavam a raça humana indigna de governar o planeta...)
As brigas rolavam soltas quando alguém insistia em blasfemar e querer que, dessa vez, o final fosse diferente... Nada feito, era “spectro flash” e monstro explodindo, senão a luta já virava verdade e o caldo engrossava.
Bons tempos de Spectreman...
E tome-lhe nostalgia!

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Um conto assombroso de um cara assombrado...

Atenção, vou fazer algo que tive vergonha até hoje!
Não, não é nada disso que vocês e suas mentes distorcidas estão pensando!
Aí vai um conto que escrevi há muito tempo, coisa minha, de terror... Tá, leiam e pronto, antes que eu volte atrás e apague.


Oração à lua

Novamente ela chegou! E, com ela, o meu desespero. Outra vez o pânico toma conta de meus sentidos. Depois de todos esses anos eu ainda não consegui me acostumar com a idéia. Na verdade, ninguém conseguiria.
O calendário, meu maior inimigo, pendurado inerte na parede com suas datas, peitos e bundas, me avisa a todo instante que a hora está prestes a chegar, que o meu dia, ou seria a minha noite, se aproxima, implacável.
Meu pavor é a espera, a impotência frente ao tempo, esse carrasco que me condena à agonia e à morte eterna em vida. Cara a cara com o passar dos dias, só me resta torcer para que tudo acabe logo, que seja o mais breve possível. Não rezo, apenas torço. Sei que, se existe um deus, ele me odeia.
A noite chega e com ela vem a lua, esposa e assassina. Traz consigo a minha imagem, minha face verdadeira. Fora com o homenzinho discreto, de modos educados, escondido atrás de pilhas de pastas e montanhas de papéis, firme e seguro no calabouço da burocracia do Estado.
A lua sabe quem sou, conhece meus segredos e parece se divertir, jogando em minha cara essa nojenta e pavorosa verdade. Eu a odeio.
Odeio pelo calor sufocante que parece me queimar por dentro, odeio a dor da carne mutante, esticando e encolhendo músculos e ossos como se fossem de borracha, odeio os pêlos tomando conta daquilo que um dia foi humano. Mais do que tudo, odeio a invasão de sons e cheiros e a fome que os acompanha.
O grito de dor, em forma de uivo, rasgando o silêncio da noite, antecede a fome desesperadora e a busca insana por alimento, que me desliga de qualquer condição humana que por acaso ainda teimasse em habitar esse corpo. A besta que habita em mim – ou serei eu que habito a besta? É tudo confuso – ronda pela cidade, por seus becos e vielas, atrás do cheiro de sangue quente, de carne fresca. Uma presa fácil: mulheres da noite, bêbados ou crianças perdidas... nada escapa de meu apetite.
Eu sou o monstro. Ele sou eu. Ele me ama e eu o odeio. Ele me protege, precisa de mim. Nada me atinge: nada de resfriados, febres ou cicatrizes. “Saúde de ferro!”, dizem na repartição. Doença de aço penso eu, tão incurável que não permite que outra enfermidade se aproxime. Odeio a besta por ela me amar tanto, por dedicar-se a mim, pelo seu zelo em me manter um morto que caminha entre os vivos.
Só espero que seja breve. Lembro que, da última vez, pareceu que as coisas se encaminharam com mais rapidez. Acordei, nu como sempre, no porão da casa que divido com o monstro. Este é seu espaço, seu ninho. O cheiro, lá em baixo, é nauseante, sendo necessário que, de tempos em tempos, eu precise passar cal no chão e dedetizar as paredes, tarefa nada agradável, diga-se de passagem.
Naquele dia, os vizinhos me indagaram se não havia visto “um cão enorme” correndo de madrugada para dentro de meu pátio. Desconversei e nada disse. Realmente não lembrava de nada. Havia despertado com o inconfundível gosto de carne humana na boca, vomitado, e subido para tomar um banho. Sem cansaço, sem olheiras, pronto para o trabalho.
Agora, novamente chega a hora. Sinto o fogo me assando a carne, a urina escorrendo sem controle pelas minhas pernas, as mãos inchando e se cobrindo de pêlos. Os dentes, ah, como me doem os dentes, brotando, pontiagudos, das gengivas. Lá está ela, branca azulada, saindo de trás de uma nuvem. A dor aumenta e perco os sentidos. Acordo segundos depois, sentindo o cheiro da noite trazido pelo vento. Num pulo, sumo na escuridão, correndo, silencioso, sobre minhas quatro patas.
Neste momento, eu amo o monstro.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Surto!

Para o que a terra ainda há de comer, ou seja, para ti, desavisado leitor, e para mim, quase uma ameba por estas horas:

Saindo da loucura que tem sido meus dias, o que me resta hoje de vida?
Qual o significado de chegar em casa num estado de exaustão em que não tenho vontade de ver nem as mais caras criaturas humanas que tenho e que me tem?

Pois é, a coisa – como dizia meu avô – anda osca! O grande questionamento é: sairemos inteiros?
Acho que não, pois as seqüelas já são visíveis, seja no branco no meio da conversa ou nos brancos que brilham cada dia mais nos meus cabelos.

Me digam então: qual a solução? “Se nada der certo viro hippie” diz uma comunidade do Orkut. Já passei dessa fase, se nada der certo vou virar andarilho! A forma mais barata de viajar e fazer exercício ao mesmo tempo!

São 23:36 da noite, e cá estou eu pensando no que fazer da vida!!!

Credo, que amargura!
Desculpem, mas eu precisava escrever isso...

Que as forças que regem esse universo tenham reservado dias melhores para todos!
Beijos alucinados!